segunda-feira, 7 de abril de 2008

REPORTAGEM PUBLICADA NA 1ª EDIÇÃO DO JORNAL DO BOAVISTA

Repetimos a reportagem publicada no Jornal do Boavista, que pode ser adquirido no Estádio do Bessa

1. ENTREVISTA COM ALEX
Alex o guardião internacional Boavisteiro, deu o nome ao projecto da escola de Futsal axadrezada.
Como sentes ao ver o teu nome ligado à escola?
É um grande orgulho ter uma escolinha com o meu nome, mas é importante salientar que esta denominação, foi decidida, por todo o grupo de trabalho, que é constituído, pelo Mário, pelo Tiago, pelo Nuno e pelo Rui. Fomos unânimes na escolha do nome. Sinto uma grande alegria e uma honra em poder transmitir a estes miúdos, alguma coisa do que apreendi ao longo destes anos.
Para além da vertente desportiva, também existe uma missão educativa?
Sim a nossa obrigação é ajudar na sua formação de homens do amanhã, dando-lhe valores que os ajudem na sua educação social. Na vertente desportiva, vamos prepará-los para um dia - quem sabe – poderem representar o clube a que todos estamos ligados.
Ao fim de (quase) quatro meses, já atingiram um número considerável de atletas. Sente que os frutos do trabalho estão a aparecer?
No início é sempre complicado, porque é necessário, os pais dos miúdos disporem de alguma verba para começarem e sabemos que isso tem peso na actual realidade das famílias. Quanto ao aumento do número de alunos, isso fica a dever-se à qualidade que tentamos (e temos conseguido) impor no ensino que fazemos. Os miúdos vão passando a palavra e vão aparecendo novos alunos.
Quais são os mais difíceis de convencer. Os teus colegas seniores – que lideras como capitão – ou estes jovens?
São casos distintos. Nos miúdos, temos que analisar e estar preparados porque cada um é um mundo à parte. Temos que os tratar de igual modo, mas sempre com a atenção das personalidades individuais, de cada um. Temos que fazer que todos se unam e em conjunto, formem um grupo.
Reparamos na sua maioria os miúdos são filhos ou familiares de atletas de futsal. No futuro tentarão extravasar esse âmbito?
Primeiro tenho que agradecer às pessoas amigas que temos, porque confiaram totalmente neste projecto. Temos alguns atletas filhos de jogadores de Futsal e meus amigos, foi com a sua ajuda que impulsionaram a escolinha, mas já temos alunos que nada têm a ver com o futsal. No futuro espero aumentar o número de miúdos, mas nunca esquecendo que foram estes a base de todo o projecto. Se aparecerem filhos de outros jogadores de futsal, serão igualmente bem-vindos.
São adversários durante a semana, mas amigos na vida…
Exactamente. O facto de sermos adversários e queremos vencer quando nos encontramos nos jogos, não invalida nunca a amizade que nos une. Somos o exemplo para os nossos filhos e a base da educação é o desporto. Temos que ter uma visão saudável deste fenómeno e conseguir formar o melhor possível, os nossos filhos. Existe a vertente competição e a vertente amizade e temos que saber separar as duas coisas.



2. ENTREVISTA COM MÁRIO VIEIRA
Mário Vieira, um dos mentores da ideia da criação da Escolinha do Alex (Boavista) é um homem com experiencia neste campo, pois foi o fundador de uma outra escola de futebol (onze) denominada Academia de Futebol Raul Meireles.
Como nasceu a ideia de fundar uma escola de futsal no Boavista?
Nasceu de uma conversa que começou por ser uma brincadeira e fruto de uma amizade que sentimos pelas crianças, adicionada à paixão que temos pela modalidade.
Quais as bases que vos levaram até esta decisão?
É preciso formar mais e melhor. É necessário que as crianças aprendam sem a pressão dos resultados. Sem a pressão que existe (na maioria dos clubes) em que só podem jogar os melhores, porque é preciso vencer e conseguir resultados. Aqui podemos ensinar, pelo prazer de ensinar. Se um dia um deles chegar a uma selecção nacional, ou for profissional, dizerem o meu treinador foi aquele…
Alteraram os treinos de Quinta para os Domingos às onze horas. Porquê?
Havia uma situação que nos estava a desgostar, que era, pelo facto de eu e o Alex fazermos parte do futsal sénior do Boavista e termos treinos às quintas pelas vinte horas, éramos obrigados a deixar a companhia dos miúdos, quase imediatamente ao fim dos treinos. Não gostamos disso, porque continuamos a acompanhar os jovens mesmo no balneário depois de terminado o treino. Temos conhecimento que a maioria dos pais trabalha e que era (mesmo a nível do transito) impossivel estarem aqui durante a semana e preferimos alterar o dia dos treinos, por todos esses motivos.
Neste momento o número de alunos está a aumentar. Satisfeito com isso?
Sim. O número está a aumentar a maioria são filhos de amigos nossos, mas contamos que com o tempo comecem a aparecer outros miúdos. Eu sei pela experiencia que possuo que ninguém gosta de treinar por treinar, a vertente da competição é sempre necessária, mas também sei que é impossível andar sem gatinhar primeiro. Se não apostarmos numa boa formação, não podemos apostar numa boa competição. Se os conseguir formar bem, então os quadros dos clubes vão ser enriquecidos com novos valores.
Quais as idades mínimas e máximas, para a inscrição na escola?
Dos quatro aos doze anos, depois dentro dessas idades são divididos por escalões.
E valores para a inscrição?
Nós cobramos… (com muita pena nossa a isso somos obrigados, porque as parcerias são muito difíceis de conseguir) cinquenta euros de inscrição e vinte e cinco de mensalidade, nessa inscrição está incluído todo o equipamento com estampagem de número e nome e um saco desportivo. É um valor que achamos justo, porque o consideramos necessário, gostaríamos que fosse mais baixo, mas com o custo do pavilhão, isso torna-se impossível.




3. ENTREVISTA COM TIAGO MOREIRA
Tiago Moreira, jovem treinador de futebol (Pasteleira) e jogador de Futsal (Equipetrol) é o encarregado da preparação dos mais (irreverentes e reivindicados) jovens.
Tiago a ti cabe trabalhar com os mais pequenos. É difícil “meter” estes jovens na linha?
Não se trata de “calhar”. Escolho ficar com os mais pequenos, que são teoricamente os que têm mais dificuldades, aos mais evoluídos vou apresentando exercícios mais difíceis. Mas, sempre explicando a todos, as diferenças dos exercícios.
É obvio que têm que dividir os miúdos por escalões. Nestas idades dois anos fazem muita diferença?
É evidente. Mesmo neste caso que são dois contra dois (tenho quatro atletas) é necessário estar sempre “em cima deles” para corrigir os exercícios, dado que eles ainda não têm a mínima noção da modalidade. Temos que estar sempre em cima, porque se não, surgem quezílias entre eles.
Eles são os mais pequenos, mas são os mais reivindicativos…
Exacto. Eles são os mais pequenos mas já se apercebem o que é os conceitos de faltas e de vitória. Mesmo com esta idade já têm as suas “manhas” para vencer e não aceitam a derrota com facilidade. E isso, torna as coisas mais difíceis para o meu lado.
Gosta do trabalho que desenvolves aqui?
É evidente, que sim. A formação sempre foi a minha paixão e isto para mim é um trabalho salutar que deve ser implementado não só nas crianças que possuem condições financeiras para pagar a mensalidade, como também nas outras crianças. Acima de tudo, estamos a tratar da formação pessoal da criança e não só da formação desportiva. Basicamente tentamos transmitir os valores essenciais do desporto.



4. ENTREVISTA COM UM PAI
Filipe Miranda, conhecido no futsal como “Buffon” ex-atleta do Boavista FC, é pai de um dos miúdos da escolinha do Alex. Ouvimo-lo (quase) como representante dos encarregados de família das futuras estrelas.
O que achas da ideia da criação desta escola, no Boavista?
Acho muito bem, pois serve para o desenvolvimento dos pequenos e dá-lhes um início de formação do futsal. Com estas bases, podem dar o salto de (escolinhas para mais “maduros” ) com os conhecimentos básicos que os irão ajudar nessa fase.
Vemos aqui pessoas que depois de uma semana de treinos diários, com competição ao Sábado e ainda conseguem tempo para este trabalho ao Domingo. O que pensa sobre isso?
É bonito ver esta dedicação ao futsal. Com a curiosidade de sermos adversários durante a semana, mas acima de tudo prevalece a amizade. As pessoas têm que saber separar as situações. Quando estamos dentro do campo, somos adversários e tentamos sempre que o “nosso” emblema vença, mas – cá fora – somos amigos. Queremos que os nossos filhos sigam esses ideais, porque os amigos são para toda a vida.
A base da escola está imposta sobre os amigos do Alex. Vocês podem vir a ser os alicerces de uma escola de renome no futuro. Como vês esta situação?
Existem muitas escolinhas e podíamos ter colocado os nossos filhos noutras, talvez até mais perto de casa. Mas como a escolinha tem o nome do Alex, que é um grande amigo e nós devemos ajudar sempre os nossos amigos. Para além disso, a escola está inserida no Boavista, clube que tive a honra de representar e que marca toda a nossa (de qualquer um) vida desportiva.
Vejo aqui o filho do Alex, o filho do Buffon e nenhum deles é guarda-redes como os pais. Porquê?
Não sei, mas talvez vejam o que um guarda-redes passa e os sacrifícios que faz nos treinos e nos jogos. Hoje em dia, todos os miúdos querem ser “Cristianos Ronaldos” querem marcar golos e os guarda-redes ficam cada vez mais esquecidos.